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Artigos ::
Você
não vale nada, mas eu gosto de você
José
Raimundo Silveira
Reta final de campeonato. Hora de separar homens de meninos, ver quem tem farinha no saco e quem pode mais, para chorar menos. Ditados batidos, mas extremamente válidos para o momento. Todo início de temporada costumamos dizer que o Estadual vale nada. O que interessa mesmo ao Vitória são as competições em nível nacional e, graças ao bom trabalho de 2008, internacional. Mas quando chega esse estágio do Campeonato Baiano não há entre nós quem se conforme com algo menos que o título.
Estou no universo dos que pensam assim. Sempre inicio um ano com a idéia que o Estadual nada mais é que um campo de provas para as competições de maior porte na temporada. Não foi diferente em 2009. Entretanto, a conjuntura acaba me convencendo a dar um valor maior ao segundo mais antigo campeonato estadual do Brasil (só o paulista começou antes que o baiano).
Vejamos os exemplos recentes. Em 2005, a meta era concentrar forças para voltar à Série A. Só que o decorrer do Campeonato Baiano abriu a perspectiva do inédito tetra, ainda por cima de modo invicto. Fiquei animado com a sucessão dos jogos, incluindo uma surra de 6x2 no bahiazinho, e comemorei muito a conquista, que precedeu o naufrágio do rebaixamento para a Série C.
Comecei 2006 tendo olhos apenas para a obrigação de sair da terceirona. Mas o Vitória tinha a chance de ser penta! Como ignorar essa chance? Por isso, fiquei p... da vida quando o Leão entregou de bandeja o título ao Colo-Colo, mesmo tendo acumulado mais pontos que o Tigre.
Presente de índio - Já em 2007, no embalo da fuga da Série C no ano anterior, a idéia fixa era retornar ao nosso lugar, a Série A. O decorrer do Campeonato Baiano, com show particular de Índio e vitórias inesquecíveis em clássicos, fizeram com que tomasse gosto pela competição. Não era para menos, pois foi nela que assisti ao maior ba-VI da história: aquele 6x5, com gol de Índio aos 48 do segundo tempo, no dia do meu aniversário, foi teste para cardíaco.
Ano passado, com a volta triunfal à Primeira Divisão, qual rubro-negro estava pensando em enfrentar Poções, Camaçari ou Ipitanga? A gente estava torcendo mesmo era para virem logo os duelos contra o Inter, Cruzeiro, São Paulo... Equipes que o Vitória estava acostumado a encarar. Mas aí veio a ousadia do bahiazinho e sua sofredora torcida. Ganharam três seguidas, com direito a humilhação no Barradão, estádio que ficaram oito anos sem nos vencer.
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atacante Rodrigão disputa a bola com rivais no Jóia da
Princesa (Foto: Bahia Notícias) |
Acharam que estava tudo acabado para o Leão. Ô, dó... Aquele chocolate com sabor de menta que os coloridos levaram em Feira, servido por Ramon e Marquinhos, até hoje está entalado na garganta deles. O requinte de crueldade foi ser bicampeão no critério dos gols marcados. É uma choradeira até hoje no meu ouvido... E a fila aumentou para eles. |
Em 2009, só tinha olhos para a Sul-Americana e a Copa do Brasil, especialmente depois de o Sport mostrar que dá para vencer os bacanas do Sul Maravilha tendo determinação e um time acertado, mesmo sem estrelas de primeira grandeza. Só que aí, de novo, o bahiazinho larga na frente. Como essa turma sedenta de alegrias fica alvoroçada só por ter vencido um ba-VI! E tome-lhe delírio: “porque vou ser campeão”, “que meu time agora tem estádio”, “que eu vou disputar o mundial”, pê, pê, pê, caixa de fósforos...
Tenho ou não razão em mudar de idéia com relação ao Campeonato Baiano. Na prática, não vale grande coisa mesmo. Mas é melhor deixar a vizinhança caladinha e chorando, como já é costume, que fazendo algazarra só porque provou um pouco de melado.
José
Raimundo Silveira
Militar,
jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky.
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
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