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De volta à penumbra
José
Raimundo Silveira
A volta do Vitória ao Estádio de
Pituaçu, nossa casa de veraneio, foi realmente lamentável. A
péssima atuação no empate contra o Madre de Deus, time repleto
de jogadores em final de carreira, foi um mero detalhe. Coisas
de uma equipe ainda em formação, com qualidade técnica apenas
mediana e sujeita às intempéries. Devido ao baixo cacife dos
adversários, dá para recuperar e cumprir a obrigação de ser
campeão baiano. Triste e inaceitável, com danos irrecuperáveis,
foi a cena de truculência, digna da ditadura, no episódio da
retirada da faixa de protesto contra o governador do estado.
A princípio, imaginava-se que a
atitude partiu de prepostos do governo. Mas aí, após a queda,
veio o coice. A iniciativa absurda foi do próprio Vitória,
através de um funcionário conhecido como “Babau”. Nome bem
apropriado para tamanha demonstração de babação, claro que a
mando de quem tem poder no clube.
A justificativa oficial foi de que
havia uma cláusula no contrato de aluguel do estádio que impedia
a realização de manifestações de cunho político como aquela. Uma
outra versão, mais plausível, contou que a atitude visou evitar
o acirramento de ânimos do clube para com o governo, o que
poderia prejudicar futuros entendimentos com essa esfera do
poder público.
O fato é que houve uma tentativa
de calar vozes dissonantes dos atuais ocupantes do poder. E
pensar que a bandeira da liberdade de expressão foi levantada
durante muitos anos por parte daquela turma... Repetiu-se, no
âmbito estadual, uma prática adotada pelo governo federal,
pertencente ao mesmo grupo político. O mesmo presidente, que na
época de militante da oposição pregava a liberdade de
pensamento, utilizou (e utiliza) mecanismos de controle da
imprensa, como se não existissem mecanismos de
auto-regulamentação e conselho nacional de classe.
Nos dizeres da faixa subtraída -
“Sem licitação, sem ética, sem respeito. Fora Wagner” - , havia
apenas, ao meu ver, um absurdo. A última frase não se aplica,
uma vez que o governador baiano foi eleito pelo povo,
democraticamente, e não há qualquer indício que aponte para o
seu impedimento. Os demais dizeres são verídicos e têm meu total
apoio. O que se fez para colocar em funcionamento o Estádio de
Pituaçu foi resumido de modo perfeito por quem bolou tal
protesto. Torço que não pare por aí.
A atitude patrocinada pela direção
rubro-negra foi um tiro no pé. E terá reflexos contra quem os
cartolas tentaram proteger. A tendência é que os protestos se
multipliquem pelas arquibancadas e, muito provavelmente, ecoem
nas eleições estaduais de 2010. Cenas dos próximos capítulos...
José
Raimundo Silveira
Militar,
jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky.
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
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