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Vinte anos da virada rubro-negra
José
Raimundo Silveira
Toda
caminhada, por mais extensa que seja, começa com um passo. E
esse passo inicial diz muito a respeito de como será a
trajetória. Quando mal-sucedida, costuma-se dizer que “o que
começou errado, só poderia dar errado”. Quando a largada é
vacilante, mas não prejudica o resultado final, louvamos a
recuperação de um começo ruim. O fato é que sempre lembramos
do princípio.
Falo
isso porque completamos, em 2009, 20 anos da virada do Vitória
no cenário estadual, com reflexos no âmbito nacional. Há duas
décadas, iniciamos uma hegemonia que perdura até hoje. Quando
comemoramos o título de 1989, interrompendo a série de três
títulos seguidos do Itinga (como soa estranho isso
atualmente...), talvez não imaginássemos que se tratava de um
marco, a pedra fundamental que estabeleceu o domínio
rubro-negro no estado.
De
lá pra cá, em 20 campeonatos disputados, ganhamos 14, ou seja,
70%. Nada mal para quem ganhava uma média de dois a três
títulos por década. Já ganhamos mais campeonatos que os
coloridos nos anos 90, tendo já garantido a supremacia na
primeira década do século XXI.
Nos
últimos 20 anos, também conquistamos mais clássicos que eles:
são 49 vitórias, 36 empates e 43 derrotas, conforme quadro em
anexo (fonte: www.rsssf.com), incluindo goleadas de 4x0, 4x1,
5x2 e 6x2, além de vários 3x0, que não considero goleada.
Vale lembrar, também, que houve nesse intervalo um jejum de
oito anos (entre 1998 e 2006) sem vitórias deles no Barradão.
Apesar da má fase atual em clássicos no nosso estádio, o
retrospecto permanece altamente favorável ao Leão.
Tudo
começou lá, em 89, com o time do goleiro Robinson, do volante
Bigu e do centroavante Júnior. No ano seguinte, ganhávamos o
bi, algo que não se via há 25 anos na Bahia. Depois, inéditos
tri e tetra, sem falar na seca histórica de títulos do lado
deles.
A
tomada da hegemonia também se refletiu no campo nacional. Nos
últimos 20 anos, foram nossas as melhores campanhas no
Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil. Vencemos três
Nordestões, sendo dois em confrontos diretos contra eles (no de
2003, vergonhosamente, graças ao medo da CBF, não disputaram),
contra dois dos coloridos. Tivemos mais jogadores convocados
para a Seleção Brasileira e presenças na Série A.
Por
fim, a tão propalada síndrome de vice nas decisões virou de
lado. Nesses 20 anos, fomos quatro vezes vice-campeões em
duelos diante deles: estaduais de 93, 94, 98 e o Nordestão de
2002. Já o representante baiano da Segundona ostentou o vice
estadual em 89, 92, 96 (garantimos o título contra o Poções,
mas eles foram vice), 97, 2000, 2004, 2005, 2007 e 2008, além
do Nordestão de 97 e 99. Conseguiu contar? Onze vezes! Quem é
o vice mesmo?
Números
do ba-VI de 1989 a 2009 (por enquanto)
89
– 2v 4e 3d
90
– 4v 2e 2d
91
– 1v 4e 4d
92
– 1v 3e
93
– 1v 1e 4d
94
– 5v 2e 5d
95
– 5v 2e 1d
96
– 2v 3e 1d
97
– 5v 1e 3d
98
– 3v 2e 3d
99
– 2v 3e 3d
00
– 2v 2e 3d
01
– 2v 1e 1d
02
– 3v 2e 1d
03
– 2v 2d
04
– 2v 1e 1d
05
– 1v 3e
06
– 3v 1e 2d
07
– 2v 2e
08
– 1v 3d
09
- 1d
Total
- 49 v 39e 43d
José
Raimundo Silveira
Militar,
jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky.
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
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