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Julgamento precoce
José
Raimundo Silveira
Obviamente, ainda é muito cedo
para analisar os efeitos da volta de Mauro Fernandes ao comando
do bicampeão baiano. Não dá para contar a convincente goleada
sobre o Itabuna, sua partida de estréia, por uma razão simples:
além de ser prematuro, é normal uma equipe vencer quando ocorre
mudança de treinador.
É um fenômeno corriqueiro no
futebol mundial. A simples troca de técnico costuma dar certo,
ao menos no jogo de estréia. Pode reparar. Apesar de não ter
estatística em mãos, estou certo que a média de resultados
positivos nessas ocasiões é bem superior. Deve ser o estímulo
psicológico na cabeça dos jogadores. Com um chefe novo de olho,
todos querem mostrar serviço. Não muito raro nesse meio obscuro,
jogador que fazia corpo mole na gestão anterior melhora de forma
surpreendente seu rendimento.
Acredito não ser o caso do
Vitória. Mesmo com suas pirraças, ao que se sabe o ambiente de
trabalho era bom na época de Mancini. Não houve casos de
panelinhas ou jogadores dando migué. Ao menos não publicamente.
Mauro Fernandes não é o técnico
dos meus sonhos, assim como de boa parte da torcida rubro-negra.
Mas também não é nenhum incompetente ou desconhecedor de
futebol. Fez um trabalho muito bom em sua primeira passagem pela
Toca. Não custa lembrar que o Vitória estava ameaçado de
desclassificação na terceira fase da Série C. Corria o risco de
ficar mais de um ano nessa divisão, algo que time grande que se
preza não pode permitir. Em seu comando, o Leão deu uma
arrancada impressionante, especialmente no octogonal decisivo,
garantindo o acesso com duas rodadas de antecedência.
Um de seus grande méritos foi
descobrir a real posição de Bida, que chegou ao clube como um
atacante sem grande brilho. Sob sua batuta, o jogador virou um
grande volante, cresceu, foi peça fundamental nos seguidos
acessos às Séries B e A, passando a ser um dos mais valorizados
do elenco. Com a volta do seu “descobridor”, espera-se que Bida
volte a ser aquela peça decisiva de 2006 e 2007.
Portanto, considerei exagerada a
forma agressiva como a contratação de Mauro Fernandes foi
recebida por nós. Repito: não é o nome ideal para o Vitória, mas
tem serviços prestados e sabe trabalhar uma equipe.
Falando na equipe, fico feliz com
a recuperação física e técnica de Nadson. Os dois gols marcados
em Itabuna mostram que o matador está de volta. Na minha
opinião, duas pinturas, dois gols típicos de artilheiros natos:
no primeiro, uma tijolada certeira de cabeça, que só os
goleadores natos sabem dar; no segundo, veio a frieza típica dos
amantes das redes adversárias, deixando os marcadores
estatelados no chão.
Também estou satisfeito com o
desempenho de Neto Baiano. Chegou à Toca como mais um, mas está
se firmando. Bem ou mal, às vezes maltratando a bola, o camarada
tem cheiro de gol. No seu ofício, que é empurrar a danada pra
dentro de lá eles, está mostrando competência.
Claro que ainda não tivemos
adversários à altura do que encararemos na temporada. Todos que
enfrentamos até aqui são times com pouca ou nenhuma categoria.
Ficar vibrando loucamente, falando até em Projeto Tóquio, com
triunfos sobre Feirense, Poções e Ipitangas da vida é coisa de
time de segunda divisão. Só que otimismo, na dose certa, não faz
mal. E fico com a impressão de que o caminho, embora não
totalmente tranqüilo, está bem delineado. Sem falar em um certo
cheirinho de virada “à la 2008” que paira no ar...
José
Raimundo Silveira
Militar,
jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky.
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
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