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O enigma futebol
Ricardo
Soazeli Azevedo
Interessante estes tempos em que
vivemos. Como curioso da história que sou, observei que o
nascimento do futebol ocorreu em classes abastadas, migrou para
a base social e, agora, com a mercantilização do produto, começa
a voltar à elite econômica.
Isto já é uma realidade na
Inglaterra, claramente, e em parte da Europa, mas deve ser o
caminho para o resto do mundo. Pense que, antes, as mudanças
demoravam a se espalhar, mas, hoje, é tudo banda larga.
Por isto não estranho a crítica
aos ingressos para assistir ao Gre-Nal, que custam sessenta
reais, o mais barato. A “revolta” foi tímida, pois além de uma
boa base de associados, muitos já entenderam que esta diversão
não é mais para qualquer um.
Não digo isto com alegria,
especialmente porque o maior problema não é somente que o
futebol é caro, mas também que o povo não tem dinheiro. Torcemos
que isto mude senão, além de Bolsa Família, deve surgir em breve
um “Bolsa Futebol” também.
Já o governo federal, que há pouco
tempo, e com a justificativa de que o futebol é de interesse
público, exigia a profissionalização dos clubes e federações,
faz seu trabalho e passou a se distanciar, assim como deve ser,
do uso do esporte como plataforma.
Os corintianos estão bravos, pois
têm um presidente na arquibancada, mas não um torcedor no
Palácio do Planalto. Lula veste a camisa, mas não interfere em
prol e nem quer se favorecer com seu time, de primeira divisão e
um dos mais populares do país.
Como político inteligente, ele
sabe que esta união é delicada, pois, mais cedo ou mais tarde, a
sociedade vai cobrar, seja por meio de CPI ou simplesmente pelo
voto, qualquer má-postura diante disso.
Caso nosso presidente quisesse
apostar no futebol como plataforma de campanha, estaria
recriando a política do “pão e circo”, mas agora numa versão
escabrosa, pois o futebol mudou e não vai voltar atrás.
Este “circo”, aliás, ainda tem
palhaços, é certo, mas já não segue o padrão Orlando Orfei (os
mais velhos devem se lembrar). Estamos em tempos de Cirque du
Soleil, tempos de Obama, tempos de mudanças.
Estejamos preparados ou não, o
passado sempre dará lugar ao novo. E apesar de saber que o
presente do futebol é um impasse, tenho a certeza, assim como
Lula, de que o futuro dele não está na política e, sim, nos
negócios. Basta esperar.
Ricardo
Soazeli Azevedo
Jornalista,
é coordenador da Fundação
Memorial do Vitória e conselheiro do clube. Na atual
diretoria, exerce a função de diretor de marketing.
E-mail:
ricardosoazeli@gmail.com
/ Website: http://ricoazevedo.wordpress.com/
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