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Artigos ::
Alea jacta est!*
José
Raimundo Silveira
Vejo de forma promissora a largada
de 2009 para o Vitória. Após a boa temporada de 2008, quando
cumprimos a obrigação do título estadual, se bem que à custa de
muito sufoco, e conseguimos uma campanha acima das expectativas
no Brasileirão, com vaga para torneio internacional, criou-se
uma expectativa positiva para a temporada que se inicia. Por
enquanto, a ansiedade da torcida por boas novidades vem sendo
suprida.
Falo isso, obviamente,
referindo-me às contratações de jogadores, tópico em voga
enquanto a bola não rola. Ponto pacífico que as aquisições
feitas até aqui agradaram mais que as do ano anterior. Nenhum
supercraque ou estrela de primeira grandeza desembarcou na Toca.
Mas o que se vê é a chegada de jogadores que têm plenas
condições de servirem ao Vitória, o que é o mais importante. Se
vão desequilibrar e se tornarem algo mais, só o decorrer da
temporada dirá.
As voltas de Apodi e Nadson são
muito bem-vindas, pela qualidade inegável e ligação até mesmo
afetiva com o clube e sua torcida. O que pesa é a sina negativa
que marca os jogadores que saem e voltam ao Leão. Raramente esse
esquema ioiô funciona. O que acaba acontecendo é o jogador não
conseguir repetir o sucesso da passagem inicial e queimar a boa
imagem deixada antes. Vide os exemplos de Alex Alves, Ricky,
Hugo, Bebeto e tantos outros. Eis aí um desafio considerável
para a dupla.
Gostei também da contratação dos
meias William e Rafael Bastos, bastante habilidosos, e dos
atacantes Washington e Jajá, jogadores com características que
se complementam e que podem colaborar para o nosso sucesso. Dos
13 contratados (excluo Thiago Gomes, que já era da casa), foram
esses o que mais chamaram minha atenção. Os demais são jogadores
para compor o grupo, o que também é muito importante para a
longa temporada que enfrentaremos – quatro competições não são
pouca coisa.
Ao meu ver, precisamos de mais
três contratações para começar os trabalhos. Um
lateral-esquerdo, uma vez que Roque é uma incógnita e só temos
ele para a posição; um zagueiro de responsa, daqueles que a
gente não tenha dúvidas sobre sua qualidade; e um meia
habilidoso, do tipo que chama o jogo para si e também tenha
capacidade de fazer gols. Artigos difíceis de encontrar no
mercado, mas necessários ao rubro-negro.
Acredito que a preparação vem
sendo bem feita, embora não esteja vivendo o dia-a-dia do time
para comprovar meu pensamento. Nesse ponto, a manutenção de
Mancini foi de suma importância, por já conhece o clube, o
ambiente, os adversários e boa parte do material humano à
disposição – embora tenha perdido quase todo o time titular que
encerrou o Brasileirão (ficaram apenas Viáfara, Anderson
Martins, Vanderson e Jackson).
Obviamente, quando a teoria passar
para a prática, alguns conceitos cairão por terra e outros se
confirmarão. Jogadores dados como bucha de canhão podem dar a
volta por cima, ídolos correm o risco de derreter em uma
eventual má fase e alguma promessa dos juniores dá na telha de
jogar um bolão. Tem sido sempre assim e não será diferente em
2009.
* Em latim, “A sorte está
lançada”, frase atribuída ao imperador romano Julio César, antes
de partir em campanha militar que o levaria ao poder.
José
Raimundo Silveira
Militar,
jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky.
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
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