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Uma volta esperada
Ricardo
Soazeli Azevedo
Ainda editor da revista do
Vitória, posição que ocupei por pouco tempo, presenciei o
empenho da antiga diretoria (verdade seja dita, afinal, faço
jornalismo) em recuperar e preservar os troféus que fazem parte
de um precioso acervo do clube.
Não sabia o número ao certo, mas
sempre tive curiosidade de ver este patrimônio, que tem em seu
aspecto simbólico sua maior importância. Eram peças estragadas
que estavam quase perdidas. A história do clube estava em
agonia.
Quando o rebaixamento técnico e
moral veio, só consegui pensar nisto. Entrei em contato com a
empresa e me assegurei de que tudo estaria bem guardado até que
o clube pudesse resgatar suas jóias. A história estava em mãos
alheias, mas sobrevivia.
De lá para cá comecei a fazer algo
na prática por ela. A pesquisa para um livro, o primeiro sobre a
história completa do clube, foi o maior desafio. Amparado por
estes dados, vejo que tudo mais pode vir a reboque.
O memorial, por exemplo, começou a
tomar forma na internet, recebeu inúmeros apoios e agora tem
boas chances de sair do mundo virtual para ganhar espaço no
mundo real. Assim surgiu a Fundação Memorial do Vitória para
amparar a ousada iniciativa.
Não posso jamais me vangloriar
disso sozinho, pois muita gente ajudou e vem ajudando na
realização deste sonho do Vitória: ter sua rica e linda história
preservada. Afinal, um clube com tamanha tradição jamais poderá
ser superado nisso, a não ser que permita.
Pois bem, aqui volta a "novela"
dos troféus. São cerca de uma centena deles que estão para
retornar ao domínio do clube. Grandes, pequenos, brilhantes, de
madeira ou alumínio, não importa, são peças que simbolizam
nossas batalhas.
Os números não são precisos ainda,
mas avalio que 50% estão em ótimo estado, 30% podem ser
recuperados e 20% terão de ser reformados completamente.
Independente disso, o fato de estarem de volta ao clube é motivo
de comemoração.
Preciso dizer que isto ainda não
ocorreu de fato, mas, graças a um esforço conjunto entre a
Fundação Memorial do Vitória, que coordeno, e a diretoria do
clube, que depois disso passei a fazer parte (ou seja, não tenho
este mérito), vai ocorrer em breve.
Todos ficaremos felizes, com
certeza, independente da geração que ocupemos. Nossos
antepassados terão seus feitos, bravos e que muito lhe custaram,
novamente trazidos à tona. Nos legaram uma das primeiras e mais
belas histórias do esporte no Brasil.
A geração futura, aqueles pequenos
rubro-negros e os que sequer ainda estão em projeto de vida,
poderão entender melhor e mais facilmente seu amor por este
clube. E nós, meus contemporâneos, apenas a alegria de
testemunharmos essa revolução sociológica.
Lembro daquela virada no Baiano de
2008. Que força espetacular! Tirada de onde? De nossa história,
com certeza. Somos gigantes, fortes, dignos. E haja o que
houver, teremos que lutar sempre para o Vitória jamais ser
rebaixado de sua merecida e bravamente conquistada condição de
ser Vitória. Feliz 2009 para todos!
Ricardo
Soazeli Azevedo
Jornalista,
é coordenador da Fundação
Memorial do Vitória e conselheiro do clube. Na atual
diretoria, exerce a função de diretor de marketing.
E-mail:
blog.ricoazevedo@bol.com.br
/ Website: www.ricardosoazeli.wordpress.com
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