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"Profissionalizar" para crescer
Renato
Ribeiro
Caros rubro-negros,
após o final da atual temporada,
ficou nítida a necessidade de um planejamento muito mais sólido
do que este que foi colocado em prática e bastante remendado em
2008. É claro que ocorreram acertos e erros, mas o que ficou
mais evidente é que o programa de ações do futebol profissional
do Vitória ainda não condiz com de um clube de Série A do
futebol brasileiro.
Para uma instituição do porte do
Vitória, contratar em grande quantidade, rezando pela qualidade,
pode se tornar uma grande dor de cabeça. E é o que vem
acontecendo desde a disputa da Série C. Isso implica em um
grande número de "come-dormes", presos em contratos, curtindo a
Bahia, as praias, o Pelô e pouco produzindo dentro de campo.
Alguns mal chegam a vestir a camisa do clube. Exemplos como
Tucho, Tripodi, Marcelo Silva, Harley, Faioli, Danilo Rios, Moré,
Evanilson, entre outros, não nos deixam mentir. Foi um
verdadeiro caminhão de jogadores que passou pelas três séries. É
preciso que se contrate com mais consistência, menos riscos,
pois isso implica em sérios prejuízos de ordem financeira e o
Rubro-Negro não pode se dar a esse luxo (aliás, ninguém pode!).
Outra coisa merece destaque. O
nosso maior rival passará por um processo eleitoral em breve.
Lógico que mudanças irão ocorrer e uma das mais prometidas,
tanto por parte da situação, como pela oposição tricolor seria a
renovação do seu departamento de futebol, que teria como gestor
o ex-presidente do Vitória S/A e Esporte Clube Vitória. Aliás,
fica bem evidente que do lado de lá as coisas estão realmente
feias, pois não existe um homem de coração azul, vermelho e
branco capaz de impulsionar mudanças positivas na diretoria de
futebol profissional. Meu maior e único medo é que agora a
obsessão de Jorginho Sampaio por ex-tricolores despiroque de vez
(já soube que a bola da vez é Rafael Bastos). Depois de trazer
ex-jogadores do Fazendão em massa, sem sucesso e até
"atravessar" a cozinheira, imaginem como ficarão as antenas do
presidente do Vitória S/A diante da expectativa de contratações
por parte do Bahia! Espero que esse fato somente sirva para
despertar os homens que hoje comandam o nosso glorioso Leão para
mudanças mais significativas do que ficar se resumindo às
ridículas disputas nos bastidores com o rival.
A motivação que eu cito aqui é em
relação ao verdadeiro profissionalismo do clube. Algo como "se
eles estão engatinhando, vamos ser mais fortes, para sempre
continuarmos à frente não somente a nível estadual, mas
nacional". E para isso é necessário o fim da abnegação, do
planejamento da sorte, do tiro no escuro, de contratações
equivocadas e postura amadora. Vamos ter como exemplo para um
cronograma e atitudes fortes, o São Paulo Futebol Clube,
instituição que se difere das demais pela sua regularidade,
estrutura e planejamento fora dos padrões das capengas
agremiações do nosso futebol.
Para isso é imprescindível a
atuação de profissionais do ramo. Sei que isso pode incomodar os
atuais diretores, porém nada tenho contra eles. Pelo contrário.
Foi essa mesma diretoria que assumiu o Vitória quando ninguém
queria e realmente todos deram a cara para bater. O Rubro-Negro
encontrava-se no limbo, sem crédito, endividado e acima de tudo
em companhia dos mais frágeis times do futebol brasileiro. Nisso
eles sempre terão minha gratidão e admiração. Mas, para um clube
como o Leão da Barra, que move multidões, é preciso sempre mudar
para melhor, progredir. E se os atuais presidentes comandarem
essa transição do "período do socorro" para o profissionalismo
real, farão um verdadeiro gol de placa e definitivamente se
consolidarão como os maiores nomes da história do Rubro-Negro
baiano. Se a coisa continuar do jeito que está, seremos eternos
figurantes em disputas nacionais e não demorará muito para um
planejamento fugir à sorte e a volta para a série B se tornar
algo tão previsível tal qual aconteceu com Juventude, Paraná,
Ponte Preta, Fortaleza, Santa Cruz, América-RN e São Caetano,
por exemplo.
Alex e Jorginho estão com a "faca
e o queijo na mão". Podem ser os responsáveis pelo crescimento
definitivo do clube em termos de estrutura e profissionalização.
Se isso ocorrer, as chances para uma conquista de um campeonato
de nível nacional e, porque não, internacional, se tornarão
maiores (lembrem que ano que vem disputaremos além do Campeonato
Baiano, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro da Série A e Copa
Sul-Americana). Caso contrário o referencial para um
pseudo-crescimento continuará sendo o Esporte Clube Bahia. E
isso se traduz em um grande erro.
Saudações
rubro-negras,
Renato
Ribeiro
Rubro-negro
e fisioterapeuta.
E-mail:
tinhojhow@yahoo.com.br
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