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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 48 - 7 a 13 de dezembro de 2008

Foto: Acervo BOL

:: Artigos ::

"Profissionalizar" para crescer

Renato Ribeiro

Caros rubro-negros, 

após o final da atual temporada, ficou nítida a necessidade de um planejamento muito mais sólido do que este que foi colocado em prática e bastante remendado em 2008. É claro que ocorreram acertos e erros, mas o que ficou mais evidente é que o programa de ações do futebol profissional do Vitória ainda não condiz com de um clube de Série A do futebol brasileiro. 

Para uma instituição do porte do Vitória, contratar em grande quantidade, rezando pela qualidade, pode se tornar uma grande dor de cabeça. E é o que vem acontecendo desde a disputa da Série C. Isso implica em um grande número de "come-dormes", presos em contratos, curtindo a Bahia, as praias, o Pelô e pouco produzindo dentro de campo. Alguns mal chegam a vestir a camisa do clube. Exemplos como Tucho, Tripodi, Marcelo Silva, Harley, Faioli, Danilo Rios, Moré, Evanilson, entre outros, não nos deixam mentir. Foi um verdadeiro caminhão de jogadores que passou pelas três séries. É preciso que se contrate com mais consistência, menos riscos, pois isso implica em sérios prejuízos de ordem financeira e o Rubro-Negro não pode se dar a esse luxo (aliás, ninguém pode!). 

Outra coisa merece destaque. O nosso maior rival passará por um processo eleitoral em breve. Lógico que mudanças irão ocorrer e uma das mais prometidas, tanto por parte da situação, como pela oposição tricolor seria a renovação do seu departamento de futebol, que teria como gestor o ex-presidente do Vitória S/A e Esporte Clube Vitória. Aliás, fica bem evidente que do lado de lá as coisas estão realmente feias, pois não existe um homem de coração azul, vermelho e branco capaz de impulsionar mudanças positivas na diretoria de futebol profissional. Meu maior e único medo é que agora a obsessão de Jorginho Sampaio por ex-tricolores despiroque de vez (já soube que a bola da vez é Rafael Bastos). Depois de trazer ex-jogadores do Fazendão em massa, sem sucesso e até "atravessar" a cozinheira, imaginem como ficarão as antenas do presidente do Vitória S/A diante da expectativa de contratações por parte do Bahia! Espero que esse fato somente sirva para despertar os homens que hoje comandam o nosso glorioso Leão para mudanças mais significativas do que ficar se resumindo às ridículas disputas nos bastidores com o rival.

A motivação que eu cito aqui é em relação ao verdadeiro profissionalismo do clube. Algo como "se eles estão engatinhando, vamos ser mais fortes, para sempre continuarmos à frente não somente a nível estadual, mas nacional". E para isso é necessário o fim da abnegação, do planejamento da sorte, do tiro no escuro, de contratações equivocadas e postura amadora. Vamos ter como exemplo para um cronograma e atitudes fortes, o São Paulo Futebol Clube, instituição que se difere das demais pela sua regularidade, estrutura e planejamento fora dos padrões das capengas agremiações do nosso futebol. 

Para isso é imprescindível a atuação de profissionais do ramo. Sei que isso pode incomodar os atuais diretores, porém nada tenho contra eles. Pelo contrário. Foi essa mesma diretoria que assumiu o Vitória quando ninguém queria e realmente todos deram a cara para bater. O Rubro-Negro encontrava-se no limbo, sem crédito, endividado e acima de tudo em companhia dos mais frágeis times do futebol brasileiro. Nisso eles sempre terão minha gratidão e admiração. Mas, para um clube como o Leão da Barra, que move multidões, é preciso sempre mudar para melhor, progredir. E se os atuais presidentes comandarem essa transição do "período do socorro" para o profissionalismo real, farão um verdadeiro gol de placa e definitivamente se consolidarão como os maiores nomes da história do Rubro-Negro baiano. Se a coisa continuar do jeito que está, seremos eternos figurantes em disputas nacionais e não demorará muito para um planejamento fugir à sorte e a volta para a série B se tornar algo tão previsível tal qual aconteceu com Juventude, Paraná, Ponte Preta, Fortaleza, Santa Cruz, América-RN e São Caetano, por exemplo. 

Alex e Jorginho estão com a "faca e o queijo na mão". Podem ser os responsáveis pelo crescimento definitivo do clube em termos de estrutura e profissionalização. Se isso ocorrer, as chances para uma conquista de um campeonato de nível nacional e, porque não, internacional, se tornarão maiores (lembrem que ano que vem disputaremos além do Campeonato Baiano, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro da Série A e Copa Sul-Americana). Caso contrário o referencial para um pseudo-crescimento continuará sendo o Esporte Clube Bahia. E isso se traduz em um grande erro.

Saudações rubro-negras,

Renato Ribeiro

Rubro-negro e fisioterapeuta.

E-mail: tinhojhow@yahoo.com.br

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