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Manifesto por um novo clube
Ricardo
Soazeli Azevedo
Diga-me com quem andas que eu... O
ditado é conhecido e bem claro. A afinidade une pessoas em
grupos que podem ser identificados por um mesmo perfil. Assim, é
importante avaliar a silhueta que tem dado ao Vitória um
reflexo, a meu ver, pouco profissional.
Primeiramente, sabemos que não há
profissionais na direção do clube, nem na presidência, nem na
diretoria de futebol, nem na comunicação, nem no marketing...
Isso porque não basta trabalhar numa função para se dizer
profissional nela.
Profissional é quem tem preparo,
estuda e pesquisa a área, tem bagagem teórica, moral e cultural
para a função. Diria que a moral é exceção, mas, quanto ao
resto, a bagagem não foi extraviada: ela não existe.
Vou insistir na questão já que
ninguém quer dizer o óbvio leonino: “o rei está nu!”. Isso
mesmo, nossa direção não está no caminho do profissionalismo.
Sendo assim, estamos no caminho oposto, o do amadorismo, onde
qualquer um pode chegar e se dizer profissional.
Em meio a crise financeira
mundial, podemos ver que nenhum diploma, seja do MIT ou de
Harvard, salva uma empresa quando não há uma boa administração.
Isso porque, além dos processos administrativos, há uma
conjuntura a ser vencida.
Daqui, parto para dois pontos:
primeiramente esclarecendo a especificidade de cada negócio, ou
seja, se temos bons administradores na direção, não quer dizer
necessariamente que temos bons administradores de um clube de
futebol nesse lugar. Uma coisa é empresa de construção, outra
coisa é clube de futebol.
O segundo ponto é que, tão
importante quanto os processos e a conjuntura, é a cultura
empresarial. Neste ponto que reconheço com maior clareza a
fraqueza de nossos dirigentes. A cultura hoje é a de promoção da
direção. Eles se acham tão importantes que superam até mesmo a
torcida.
Só não superam o clube, mas um dia
prevejo que vão querer isso, mesmo não sendo possível, mesmo já
sabendo do que ocorreu no passado recente. Ninguém é ou será
maior que o Vitória, mas na cultura atual do culto de
celebridades, todo mundo quer ser uma.
Assim, cartolas apareciam na
abertura do “Vitória na TV” dando volta olímpica ao lado de
ídolos pop, apareciam em quase todas as matérias, apareciam nas
fotos do site, em todo lugar. Verdadeiros Narcisos rubro-negros
encantados com o poder da notoriedade.
Diz um outro ditado: "quanto maior
o anel, mais burro o bacharel". Querer mostrar importância
somente expõe a fragilidade do espírito dessas pessoas no
quesito "administração de um clube de futebol".
Mudanças são possíveis e acredito
que elas ocorrerão um dia, por bem ou por mal. Não estou feliz
por ter que dizer isso, mas vejo que o Vitória não está andando
em boas companhias. Contudo, sobreviverá. Espero.
Ricardo
Soazeli Azevedo
Jornalista
e coordenador da Fundação
Memorial do Vitória. É também autor da trilogia "Eu
sou um nome na história", cujo primeiro volume está
esgotado.
E-mail:
ricardosoazeli@gmail.com
/ Website: www.ricardosoazeli.wordpress.com
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