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Um jogo de cara ou coroa - parte 2
Ricardo
Soazeli Azevedo
Escrever é como mexer em casa de
marimbondo. Na verdade, opinar escrevendo é que é. Por isto me
diz um caro amigo fashionista, “silêncio é igual ao preto
básico, combina com tudo!”. Mais fashion, impossível.
Acho que, neste ponto, estou fora
de moda. Acompanho o dia a dia do Vitória e fico refletindo
sobre pontos que, graças ao BOL, posso colocar para quem quiser
saber, inclusive o de meu maior incômodo: nossa administração.
Nada tenho contra nossa equipe
atual e acho que o grande problema do clube não é culpa deles.
Aliás, não é só deles, pois é nossa (coletividade rubro-negra)
também: frente à necessidade de profissionalizar a
administração, ninguém se importa, desde que ganhemos o próximo
jogo.
A questão é: até quando haverá o
próximo jogo para sustentar o que considero uma ilusão de clube?
Não que o Vitória não seja real, mas ele só será possível
enquanto existir, mesmo que apenas como possibilidade,
exatamente como o queremos: grande, forte e estruturado. E a
nível nacional.
Isso está cada dia mais difícil,
mesmo que pareça fácil quando pensamos localmente. Mas não é
mais um campeonato baiano que deveríamos sonhar. Evoluímos e
garantimos, por enquanto, nosso espaço por aqui, mas precisamos
voar mais alto.
É neste ponto que vejo que
chegamos numa etapa crucial de nossa vida como clube. A
profissionalização da gestão surge como fundamental pois somente
ela poderá embasar uma estratégia viável para trilharmos rumo a
um futuro vencedor.
Isso é possível hoje, afinal, ao
invés de um presidente, por que não contratamos um
superintendente profissional, com currículo adequado, já que
temos o primeiro como assalariado? A meta deste profissional
seria formar uma equipe para criar e gerir um projeto com o
objetivo de “inventar” um novo clube para o futuro.
Precisaremos de um clube forte,
com finanças equilibradas e um bom plano de metas financeiras.
Com uma imagem sólida, parcerias fortes e capacidade para
enfrentar inevitáveis crises. Será que isso é possível no Brasil
ou em Salvador? Tenho certeza que sim.
Mais que isso, acredito ser este o
único caminho para o futebol brasileiro. Reforço isso quando
vejo nossos adversários locais que, há anos acéfalos
profissionalmente, ficaram desprevenidos frente aos desafios e
estão se esvaindo com o vento.
Qual a diferença deles para nós?
Essa é a pergunta chave e a resposta desafiadora: neste momento,
não vejo nenhuma. Erraram e seguiram errando, enterraram
escudos, nomes e troféus. Sumiram e hoje são fantasmas tentando
provar que não são. Tivemos sorte até aqui? Não, tivemos
competência.
É essa competência que não podemos
abrir mão. Por isso, quero provocar nos qualificados leitores do
BOL uma reflexão sobre a necessidade de profissionalização da
gestão do clube. Mesmo que os marimbondos avancem, sinto que
estou fazendo minha parte, afinal, futebol não é um jogo de cara
ou coroa.
Ricardo
Soazeli Azevedo
Jornalista
e coordenador da Fundação
Memorial do Vitória. É também autor da trilogia "Eu
sou um nome na história", cujo primeiro volume está
esgotado.
E-mail:
ricardosoazeli@gmail.com
/ Website: www.ricardosoazeli.wordpress.com
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