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Direto de Santiago
Ricardo
Azevedo
Esta
semana de Seleção vou ter que mudar de assunto. Apesar de
carregar o Vitória nas entrelinhas, vou aproveitar minha
estadia em Santiago, para cobrir a partida contra o Chile, e
falar sobre este assunto, já que estou tão próximo dele. Vou
dar apenas uma abordagem diferente.
Inicialmente,
preciso registrar que a situação geográfica do Chile é algo
peculiar. O que ocorre é um isolamento natural, já que, ao
norte, há um deserto, o Atacama, e ao sul um outro, só que de
gelo, a Patagônia. Dos lados, a Cordilheira Chilena e o oceano
Pacífico margeiam o litoral e outra Cordilheira, a dos Andes,
separam-nos do resto do continente.
Pode
parecer um problema, mas essa distância nunca os incomodou.
Pelo contrário. Isto pode ser comprovado até com uma velha
piada, que conta quando japoneses indicaram, como forma de
resolver o problema da poluição, uma abertura na cordilheira
que ligaria o país com a Argentina. “Preferimos morrer
aqui”.
O
fato é que este isolamento os faz seres um tanto comedidos, low
profile. Assim, seria estranho vermos brados pelas ruas para
a seleção ou provocações com o grande número de brasileiros
que estavam na capital chilena para fazer turismo.
Eles
são diferentes. De nós, principalmente. Da sua maneira vibram
e ficam eufóricos. Pude ver isso nas conversas com atendentes e
motoristas. No mês da Independência deles (dia 18 é a data
nacional), natural que a nacionalidade seja motivo de orgulho.
Bem,
fazendo um paralelo com nosso nacionalismo e nosso selecionismo,
vejo que, realmente, somos diferentes. Pelo que tenho visto,
eles estão orgulhosos pela história do país e a seleção
serve para completar a festa. Por outro lado, pelo que conheço,
nós estamos torcendo pelo futebol e a festa cívica é que vem
a somar, se é que isto ocorrerá.
Não
quero me aprofundar na significação disto, mas talvez valha a
pena uma pequena reflexão sobre nossa relação com a seleção
e com a vida. Sei que futebol em nosso país é assunto de
Estado e todos os brasileiros são diplomatas neste campo, mas
é importante sabermos diferenciar o Brasil do Brasil-il-il...
Temos
muitos desafios pela frente, como país e como pessoas. Os jogos
passam e temos que seguir a vida, cuidando melhor de nosso
lugar, começando por nós mesmos. Este jogo é bem mais difícil
e acho que o isolamento chileno contribuiu para eles estarem um
passo a frente. O Chile é um país civilizado.
Ricardo
Soazeli Azevedo
Jornalista
e coordenador da Fundação
Memorial do Vitória. É também autor da trilogia "Eu
sou um nome na história", cujo primeiro volume está
esgotado.
E-mail:
ricardosoazeli@gmail.com
/ Website: www.ricardosoazeli.wordpress.com
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