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Apoio vital
José
Raimundo Silveira
Nos últimos anos, a torcida do
Vitória apresentou uma positiva mudança de comportamento. Seja
qual fosse a fase da equipe – e ela era tétrica, pois estávamos
no submundo do futebol brasileiro-, o apoio da arquibancada
permaneceu imutável. Foi justamente essa força a mola propulsora
para o retorno ao nosso lugar.
Pois bem, eis que o andamento do
Brasileirão de 2008 traz um preocupante retrocesso nesse
sentido. Bastaram alguns maus resultados para que surgissem os
velhos corneteiros de plantão. Geralmente, acompanhados de
críticas infundadas e comentários baseados tão somente nos
resultados imediatos.
O que me intrigou especialmente
foi a presença de público no jogo contra o Sport Recife. Tudo
bem que jogo às 19h30 no Barradão é inviável, pois não dá para
conciliar o horário de saída do trabalho com o difícil
deslocamento para o estádio. Porém, convenhamos que pouco mais
de sete mil pagantes é número baixíssimo para a realidade
rubro-negra. Primeiro, devido à nossa muito boa condição no
Campeonato Brasileiro: àquela altura, voltaríamos ao G-4 com um
triunfo simples. Segundo, o pequeno público, digno de jogo sem
importância do Campeonato Baiano, não condiz com os maus-bocados
que passamos nas Série C e B, para voltar ao nosso lugar no
cenário nacional.
Outro ponto que me deixa pensativo
é a perseguição excessiva ao técnico Vagner Mancini. Não que ele
seja o Rinus Michels reencarnado, mas o camarada vem fazendo um
bom trabalho na Toca do Leão. Tudo bem, Mancini comete algumas
teimosias e equívocos, só que é ele quem dá a cara para bater e
está lá no dia-a-dia. E não parece ser intransigente em seus
princípios, tanto que sinaliza com a saída do time de seu
jogador de confiança, Marco Aurélio. Um clamor da torcida, por
conta do seu fraco rendimento.
O saldo é positivo em favor do
treinador. Basta lembrar o que ele fez no primeiro semestre.
Encontrou um mangue geral no time, em termos táticos e técnicos,
e arrumou a casa. Ganhou um campeonato que dávamos como perdido
e fez o time entrar no Brasileirão aprumado. Melhor que isso,
passou confiança aos jogadores e torcedores de que é possível,
sim, chegar longe. Em todos seus discursos, deixa claro seu
posicionamento positivo.
Seu colega de profissão, Candinho,
fez justamente o contrário, quando esteve à frente do
rubro-negro, no Brasileirão de 97. Comandando um elenco que
tinha jogadores com muito mais capacidade técnica que o atual,
sucumbiu, deu uma de coitadinho, dizendo que o Vitória era um
time médio. Ora, poderia até ser menos poderoso que alguns
concorrentes, mas jamais, na posição de chefe, poderia dar tal
declaração! Era como começar todos os jogos já perdendo por 2x0.
Largou o Leão em 20º na tabela. Evaristo de Macedo, treinador de
verdade e vitorioso, quase nos coloca nas finais, deixando a
vaga escapar no detalhe.
Não devemos perder o senso crítico
que caracteriza os rubro-negros, fazendo colocações pertinentes,
às vezes veementes, mas sempre em função do benefício leonino.
Porém, pelo que o Vitória apresentou até agora, time e comissão
técnica merecem nosso crédito e apoio. E que esse voto de
confiança se reflita na presença maciça e constante no sagrado
cimento do Manoel Barradas.
José
Raimundo Silveira
Militar,
jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky.
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
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