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Nas mãos de Mancini
Renato
Ribeiro
Caros rubro-negros,
ao fazer uma análise um pouco mais
racional sobre a equipe titular, da composição do banco de
reservas e do futebol apresentado pelo Vitória no Campeonato
Brasileiro, concluí que o nosso treinador Vágner Mancini foi o
principal responsável tanto pelos triunfos como pelos insucessos
do Rubro-Negro. Em alguns momentos, o Leão atuou com a equipe
ideal, em outras não. Isso também se fez presente na formação do
nosso banco de reservas, que em determinadas ocasiões foi bem
composto e em outras oportunidades muito mal escalado, além da
performance do time, ora surpreendente, ora decepcionante.
Mais uma vez gostaria de
parabenizar o nosso treinador. Afinal, para uma equipe que
apresentava um futebol extremamente limitado e horroroso no
primeiro semestre, o Vitória partiu para o Brasileirão com a
desconfiança de todos debaixo do braço. O fato é que, por livre
e espontânea pressão, a diretoria e a comissão técnica
(re)formaram um elenco com capacidade de ter um bom desempenho.
O fato é que a equipe correspondeu positivamente, terminando o
primeiro turno na fronteira do G4 e surpreendendo a todos que
sonhávamos com algo muito mais modesto.
E já que atestamos a capacidade da
equipe identificando quais jogadores vinham correspondendo
positivamente, por diversas vezes aplaudimos o nosso treinador
em algumas escalações como, por exemplo, ter efetivado de vez os
garotos Marquinhos e Willians Santana. Fora que a equipe quando
se sente à vontade em campo e é bem escalada, sai de baixo!
Diversas foram as goleadas, como os 5x2 no Botafogo, os 5x0 no
Vasco e os 4x0 no Figueirense. Méritos para os atletas e – por
quê não? - para o nosso comandante.
Por outro lado, algumas decisões
de Mancini nos deram calafrios. A manutenção de Marco Aurélio
foi uma delas. Claro que não vamos ser tão ingratos para com o
jogador, que fora extremamente importante na reta final do
certame estadual e que fez uma boa metade de primeiro turno da
Série A do Brasileiro, apesar de suas limitações técnicas,
principalmente no apoio. Porém, hoje Marco Aurélio está muito
aquém do restante do time titular e isso já vem sendo explorado
pelas equipes adversárias. Aliás, além do nosso lado direito, o
setor esquerdo também vem sendo bastante questionado, pois
Marcelo Cordeiro, desde que retornou de contusão, também não vem
desenvolvendo o futebol de outrora.
Outra coisa que merece ser
bastante discutida é o nosso banco de reservas. Em muitas
ocasiões, Mancini, independente da partida ou do adversário,
somente utilizava as mesmas “peças de reposição”. Exemplos como
Ricardinho e Jackson consistem até hoje em nomes já certos para
terem suas oportunidades no decorrer das partidas, em detrimento
de outros atletas como o próprio Leandro Domingues.
Sinceramente, eu gostaria de ter visto mais o futebol de
Heverton no Vitória. Mesmo fazendo parte do fiasco do
Corinthians no ano passado, o jovem meia foi um dos poucos que
se salvou no elenco alvinegro, mostrando habilidade e força
ofensiva que, acho eu, cairia muito bem no decorrer dos jogos ao
lado de Marquinhos, Willians Santana, Ramon e Dinei. Mas como
quem vive o dia-a-dia no clube é o treinador, paciência.
Sabemos todos que o banco de
reservas deve constar no máximo de alternativas para todas as
posições, porém respeitando-se o número limitado de jogadores.
Pois bem, em algumas oportunidades nosso treinador sequer levou
um lateral para os suplentes! Ou seja, Daniel, Carlos Alberto e
Rafael ficaram fora de um banco repleto de zagueiros, meias e
atacantes. Erro primário! E olhem que Rafael representa
alternativa tanto para o meio campo quanto para as laterais!
Mancini precisa também fazer a
equipe aprender a jogar de acordo com o adversário. Se a partida
é contra o ridículo Vasco da Gama ou até um Goiás, por exemplo,
tudo bem, vamos pra cima, é goleada à vista. Mas por outro lado,
se o confronto consiste em Palmeiras e Vitória, no Parque
Antártica, nada de ficar acuado recebendo pressão e saindo com
passes displicentes. Se a partida é contra o São Paulo, por que
ficar naquela correria diante de uma equipe que inteligentemente
joga esperando o adversário e sai rápido no contra-ataque puxado
por Borges e Dagoberto? Isso é missão do treinador e ele mesmo
“entregou esse jogo” em entrevista a um programa de TV num canal
fechado que o Vitória precisa aprender a tocar a bola e marcar
quando o contexto exige.
Pelo potencial da equipe, sabemos
que nosso Rubro-Negro pode ir mais longe. Se o nosso treinador
já identificou as deficiências chegou mais do que na hora de
modificá-las, pois agora a margem de erro é infinitamente menor.
Portanto, Mancini, deixe de lado algumas teimosias, sabemos que
você se trata de um profissional ainda jovem, de muito potencial
e que pode crescer muito mais na carreira de técnico. A chance
está em suas mãos.
Saudações Rubro-Negras!
Renato
dos Anjos Ribeiro
Rubro-negro
e fisioterapeuta.
E-mail:
tinhojhow@yahoo.com.br
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