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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 34 - 31 de agosto a 6 de setembro de 2008

Fonte: Globo.com

:: Artigos ::

Nas mãos de Mancini

Renato Ribeiro

Caros rubro-negros,

ao fazer uma análise um pouco mais racional sobre a equipe titular, da composição do banco de reservas e do futebol apresentado pelo Vitória no Campeonato Brasileiro, concluí que o nosso treinador Vágner Mancini foi o principal responsável tanto pelos triunfos como pelos insucessos do Rubro-Negro. Em alguns momentos, o Leão atuou com a equipe ideal, em outras não. Isso também se fez presente na formação do nosso banco de reservas, que em determinadas ocasiões foi bem composto e em outras oportunidades muito mal escalado, além da performance do time, ora surpreendente, ora decepcionante. 

Mais uma vez gostaria de parabenizar o nosso treinador. Afinal, para uma equipe que apresentava um futebol extremamente limitado e horroroso no primeiro semestre, o Vitória partiu para o Brasileirão com a desconfiança de todos debaixo do braço. O fato é que, por livre e espontânea pressão, a diretoria e a comissão técnica (re)formaram um elenco com capacidade de ter um bom desempenho. O fato é que a equipe correspondeu positivamente, terminando o primeiro turno na fronteira do G4 e surpreendendo a todos que sonhávamos com algo muito mais modesto. 

E já que atestamos a capacidade da equipe identificando quais jogadores vinham correspondendo positivamente, por diversas vezes aplaudimos o nosso treinador em algumas escalações como, por exemplo, ter efetivado de vez os garotos Marquinhos e Willians Santana. Fora que a equipe quando se sente à vontade em campo e é bem escalada, sai de baixo! Diversas foram as goleadas, como os 5x2 no Botafogo, os 5x0 no Vasco e os 4x0 no Figueirense. Méritos para os atletas e – por quê não? - para o nosso comandante. 

Por outro lado, algumas decisões de Mancini nos deram calafrios. A manutenção de Marco Aurélio foi uma delas. Claro que não vamos ser tão ingratos para com o jogador, que fora extremamente importante na reta final do certame estadual e que fez uma boa metade de primeiro turno da Série A do Brasileiro, apesar de suas limitações técnicas, principalmente no apoio. Porém, hoje Marco Aurélio está muito aquém do restante do time titular e isso já vem sendo explorado pelas equipes adversárias. Aliás, além do nosso lado direito, o setor esquerdo também vem sendo bastante questionado, pois Marcelo Cordeiro, desde que retornou de contusão, também não vem desenvolvendo o futebol de outrora. 

Outra coisa que merece ser bastante discutida é o nosso banco de reservas. Em muitas ocasiões, Mancini, independente da partida ou do adversário, somente utilizava as mesmas “peças de reposição”. Exemplos como Ricardinho e Jackson consistem até hoje em nomes já certos para terem suas oportunidades no decorrer das partidas, em detrimento de outros atletas como o próprio Leandro Domingues. Sinceramente, eu gostaria de ter visto mais o futebol de Heverton no Vitória. Mesmo fazendo parte do fiasco do Corinthians no ano passado, o jovem meia foi um dos poucos que se salvou no elenco alvinegro, mostrando habilidade e força ofensiva que, acho eu, cairia muito bem no decorrer dos jogos ao lado de Marquinhos, Willians Santana, Ramon e Dinei. Mas como quem vive o dia-a-dia no clube é o treinador, paciência. 

Sabemos todos que o banco de reservas deve constar no máximo de alternativas para todas as posições, porém respeitando-se o número limitado de jogadores. Pois bem, em algumas oportunidades nosso treinador sequer levou um lateral para os suplentes! Ou seja, Daniel, Carlos Alberto e Rafael ficaram fora de um banco repleto de zagueiros, meias e atacantes. Erro primário! E olhem que Rafael representa alternativa tanto para o meio campo quanto para as laterais! 

Mancini precisa também fazer a equipe aprender a jogar de acordo com o adversário. Se a partida é contra o ridículo Vasco da Gama ou até um Goiás, por exemplo, tudo bem, vamos pra cima, é goleada à vista. Mas por outro lado, se o confronto consiste em Palmeiras e Vitória, no Parque Antártica, nada de ficar acuado recebendo pressão e saindo com passes displicentes. Se a partida é contra o São Paulo, por que ficar naquela correria diante de uma equipe que inteligentemente joga esperando o adversário e sai rápido no contra-ataque puxado por Borges e Dagoberto? Isso é missão do treinador e ele mesmo “entregou esse jogo” em entrevista a um programa de TV num canal fechado que o Vitória precisa aprender a tocar a bola e marcar quando o contexto exige. 

Pelo potencial da equipe, sabemos que nosso Rubro-Negro pode ir mais longe. Se o nosso treinador já identificou as deficiências chegou mais do que na hora de modificá-las, pois agora a margem de erro é infinitamente menor. Portanto, Mancini, deixe de lado algumas teimosias, sabemos que você se trata de um profissional ainda jovem, de muito potencial e que pode crescer muito mais na carreira de técnico. A chance está em suas mãos. 

Saudações Rubro-Negras!

Renato dos Anjos Ribeiro

Rubro-negro e fisioterapeuta.

E-mail: tinhojhow@yahoo.com.br

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