|
::
Artigos ::
O desafio do marketing rubro-negro
Ricardo
Azevedo
Após a passagem do lançamento do
Memorial do Vitória, volto meus textos para a área de marketing
do clube, a qual continua acéfala e, a meu ver, podemos (e
devemos) contribuir com um debate aberto para melhorarmos como
instituição.
Entendo que o Vitória está numa
retomada e muito tem conseguido. Porém, no futebol moderno não
se pode abrir mão das mais avançadas ferramentas de gestão
empresarial, caso contrário voltaremos à época dos abnegados,
aqueles que “carregavam o clube nas costas”.
Tenho visto ações profissionais
mas, em contraponto, realizadas sem a profissionalização
necessária para seu suporte. Como exemplo, na tentativa de
reunir investidores, lançamos um excelente projeto, mas num
modelo falido.
Sem as regras da transparência e
da gestão financeira, que se baseia, inicialmente, numa análise
feita pelos investidores de toda a estrutura administrativa da
empresa, nada teremos dos investidores sérios, apenas dos
investidores rubro-negros. Ou seja, inventamos uma nova forma
para um velho sistema, o dos abnegados.
Isto vale para a área de
marketing, que tem a missão de criar e manter uma boa imagem do
clube com a torcida, imprensa e, claro, investidores. Ao meu
ver, o planejamento da área é o ponto chave para nossa atuação
e, para isso, precisamos de gente qualificada.
A urgência disso pode ser
escondida pelos bons resultados do time em campo nesta
temporada, mas insistirei no tema por entender que estamos
enfraquecidos no quesito “branding”, ou seja, construção e
manutenção de imagem.
A falta deste profissional está
dando espaço para amadores agirem no clube e, com isso, eles
estão transformando oportunidades em nada. Quando deixarem esta
função, seu legado será negativo e, pior, poderá impactar
negativamente em futuras ações.
No entanto, não estou aqui para
criticar, apenas tentar mostrar a importância da
profissionalização do marketing e comunicação do clube como
pontapé inicial do que podemos e precisamos fazer em todos os
outros setores.
Assim, quero iniciar esta série de
textos, que representam uma tentativa de diálogo com a direção e
com outros articuladores rubro-negros, incluindo torcedores (que
também podem ser considerados investidores), deixando um ponto
que precisamos estabelecer como meta inicial: vamos contratar
alguém especializado para cuidar de nosso marketing.
Com um bom trabalho na área, isto
poderá ser a base para uma revolução na forma com que o Vitória
faz esporte. Uma forma moderna, profissional, idônea e sem a
dependência do paternalismo e da abnegação de torcedores de
outrora e de agora. Por seu fim eminente, apenas eles precisam
temer isto.
Mas, está provado que, após o fim,
vem um novo começo. E no esporte moderno as coisas são assim:
por trás das marcas, há sempre uma administração. Mas, por trás
das grandes marcas, há sempre o marketing.
PS: No fechamento deste texto fui
lembrado por um colega de que a diretoria contratou uma empresa
para cuidar da área. Manterei minhas considerações por entender
que, apesar de quase três meses de atuação, esta empresa
(ninguém sabe qual é!) não mostrou nenhum planejamento de
trabalho nem sequer assimilou a área de comunicação. Ou seja,
não temos esperanças de mudança.
Ricardo
Soazeli Azevedo
Jornalista
e coordenador da Fundação
Memorial do Vitória. É também autor da trilogia "Eu
sou um nome na história", cujo primeiro volume está
esgotado.
E-mail:
ricardosoazeli@gmail.com
/ Website: www.ricardosoazeli.wordpress.com
-
|