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Pedido de amigo
José
Raimundo Silveira
Normalmente, venho usando esse
espaço para comentar acerca da campanha do Vitória no Campeonato
Brasileiro. Embora goste mesmo é de explorar a bola rolando, vez
por outra abordo temas extra-campo. É o que farei esta semana,
por um motivo especial e justo: atender ao apelo de um grande
amigo.
Trata-se de Andrei Miler Menezes
Beramendi, arquiteto, rubro-negro fanático e amigo que conservo
desde a infância. Faço questão de citar seu nome completo, por
ser ele uma pessoa especial, a quem considero um irmão.
Acompanhamos juntos o Vitória em dezenas de jogos no Barradão e
nas comemorações dos triunfos pelos bares de Salvador. Enfim, é
um cara em quem posso confiar.
E é por acreditar fielmente em
suas palavras que gostaria de dar maior visibilidade a uma
crítica sua, que me foi passada por e-mail. Com um misto de
raiva e decepção, Andrei me relatou os fatos ocorridos antes do
jogo contra o Vasco, quando um tumulto na entrada do Barradão
provocou correria e confusão. Na extensa mensagem, o chocolate
aplicado sobre os cariocas ficou restrito a umas poucas linhas.
A maior parte foi dedicada ao conjunto de erros observados no
episódio.
Segundo meu amigo, quando o ônibus
levando “torcedores” vascaínos se aproximou do estádio, houve
provocações por parte dos rubro-negros e bombas de fabricação
caseira foram atiradas de dentro do veículo. O que se seguiu foi
uma bagunça generalizada, gente correndo pra todo lado e
crianças assustadas, em pleno Dia dos Pais.
O episódio deixa algumas lições e
questionamentos sobre a segurança no Estádio Manoel Barradas. A
casa rubro-negra, em comparação a outras praças esportivas
brasileiras, não apresenta problemas graves de violência. Para
continuar dessa forma, é preciso não descuidar. Custaria à
Polícia Militar prover a escolta desses ônibus de torcedores
visitantes? E mais: sabendo o histórico de baderna de torcidas
organizadas do Rio e São Paulo, por que não foi feita uma
revista mais apurada nesses veículos, que todos sabem conter
drogas, bombas e até armas de fogo e brancas?
E da nossa parte, custa manter a
tradição de gozação sadia sobre os torcedores adversários ao
invés de copiar as agressões gratuitas, típicas dos sudestinos?
É bem melhor o espetáculo nas arquibancadas, empurrando o time
rumo aos triunfos, que a intenção de imitar esse comportamento
imbecil.
Andrei, que passou sufoco ao lado
da namorada e amigos, tocou em um ponto crítico. Hoje, a
presença nos estádios sofre a grande concorrência da TV. Com o
pay-per-view, o camarada pode ver qualquer jogo da Série A sem
sair de casa. E considerando as dificuldades para chegar e sair
do Barradão, é algo a se pensar. Pela sua condição profissional,
meu amigo teria a opção de ficar comodamente em sua residência e
ver todos os jogos do Vitória pela telinha. Mas ele prefere ir
ao estádio, tendo feito a promessa de assistir a campanha
inteira do Leão na Série A in loco. Com a experiência passada
naquele jogo, ele já cogita quebrar a promessa. Ou se toma uma
providência, ou o Vitória corre o risco de, cada vez
mais, trocar torcedores de arquibancada por amigos ouvintes.
José
Raimundo Silveira
Militar,
jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky.
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
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