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Resumo da Ópera
José
Raimundo Silveira
Escrever uma coluna semanal tem suas desvantagens. Uma das maiores é a questão da atualidade. Um dado que parece interessante no início da semana pode soar ultrapassado no final da mesma. Também se corre o risco de ver a situação descrita mudar completamente.
No entanto, mesmo sabendo que agora, no momento que escrevo, ainda falta um jogo para o Vitória encerrar o primeiro turno do Campeonato Brasileiro, já é possível fazer um balanço da campanha rubro-negra nessa parte inicial da competição.
Lugar mais do que comum é dizer que a caminhada rubro-negra surpreende. De fato, pelo primeiro semestre claudicante, temia-se o pior. Ser eliminado pelo horroroso Paraná Clube da Copa do Brasil e demorar até o último minuto para cumprir a obrigação de ser campeão baiano deixaram a torcida preocupada. Mas bastaram as primeiras partidas para a situação mudar de figura.
Considerando que o Vitória manterá na rodada derradeira do turno a freguesia sobre o combalido Vasco, que jamais empatou no Barradão, imagine vencer, até agora amargamos apenas dois resultados desastrosos. Sim, somente dois: as derrotas para o tétrico Ipatinga e o esfacelado Atlético Mineiro. O Ipatinga, repito, é muito ruim e será rebaixado com umas três ou quatro rodadas de antecedência, conforme previ quando perdemos lá no interior mineiro. Já o Galo, coitado, lutará até o final para não ser degolado, caso mantenha sua média de atuações.
Aí o leitor pergunta: e a derrota para o Fluminense? Bem, apesar desse time estar na zona de rebaixamento, com direito a cadeira cativa, não vi como estranho perder para eles com o time quase igual àquele que encantou o Brasil durante a Libertadores. Ademais, o Leão atuou bem naquela ocasião e os forçou a jogarem muito no segundo tempo. Apesar de estarem tomando gosto pela ZR e flertando com o perigo da queda, não creio que o pó-de-arroz cairá.
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Leão
pode dar o troco na Raposa no dia 16/08, no Mineirão
(Foto: Globo Esporte.com) |
As outras quatro derrotas, para o Grêmio, Cruzeiro, Palmeiras e São Paulo, foram resultados absolutamente normais, em que pese o fato de os tropeços diante da Raposa e dos Bambis terem ocorrido no Barradão. Emendo a pergunta: foi algum demérito perder para essas equipes? Antes de a bola rolar, não eram apontados como favoritos ao título? Pena que foram confrontos diretos pela |
ponta da tabela. Não por acaso, até aqui, são os quatro primeiros, um prêmio pela competência de terem vencido o bom time do Leão.
Não estou tecendo uma lamúria por conta das recentes derrotas fora de casa. Muito menos perdendo a fé no time. Muito pelo contrário. Tenho confiança que alcançaremos algo muito bom nesse Campeonato Brasileiro e não vejo o título como algo impossível, dado o nivelamento (por baixo, diga-se) entre os participantes. Trata-se apenas de um exercício de reflexão sobre o que já foi feito e o que pode ser atingido, sem viajar na maionese, no segundo turno.
Percebe-se nitidamente que o necessário é ajustar alguns detalhes para o time engrenar. Isso passa pelo posicionamento defensivo nas jogadas originadas de bola parada à incompreensível insistência de Vagner Mancini em manter determinadas peças. O que não pode mudar é o apoio incondicional da torcida durante os jogos.
Não falo que a massa rubro-negra deva fechar os olhos diante dos equívocos e perder o senso crítico. Que as queixas justas e as ponderações plausíveis continuem, pois são positivas. Mas, com a bola rolando, o grito do Leão nas arquibancadas tem que prosseguir amedrontando os visitantes no Barradão e empurrando o rubro-negro. Essa parceria é essencial para o sucesso do nosso time.
José
Raimundo Silveira
Militar,
jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky.
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
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