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Opinião ::
Sorria, visitante, você está no
Barradão
José
Raimundo Silveira
A Bahia é pintada por aí como um local que sabe receber
bem seus visitantes. Tá certo que tal imagem muito se deve à
política governamental, não importando matiz partidária, de
propagar a idéia de que os turistas são tratados como reis por
aqui. Tudo para manter em alta as taxas de ocupação da rede
hoteleira, gerando dividendos para cá. É verdade que a questão
do serviço é uma tragédia e, por motivos culturais e de ausência
de oportunidades, nosso povo é de uma falta de educação
impressionante. No entanto, regra geral, somos corteses com
aqueles que vêm conhecer esse estado apaixonante.
O Barradão é uma amostra bastante
ilustrativa do fino trato dispensado aos visitantes. Não me
refiro aos resultados obtidos pelos adversários do Vitória em
nossa casa. Até porque o estádio foi um divisor de águas na
história do clube, alavancando seu crescimento. Nesse
Brasileirão, até o jogo contra o São Paulo, o Leão era o
mandante mais eficiente. Faço referência à maneira como são
recebidos os torcedores dos nossos oponentes em casa.
Vez por outra, ouço uma chiadeira
dos "estrangeiros", digamos assim, que vão ao Barradas. Conclamo
os mesmos aventurarem-se a torcer pelos seus times quando
jogarem em outros estádios. Depois, podem fazer uma comparação
mais aprofundada. E, aposto, sentirão saudades de freqüentar o
estádio do representante baiano na primeira divisão.
Claro que existem fatos isolados e
absurdos. Teve aquele imbecil que atirou um rojão contra uma
torcedora do Botafogo do Rio, em 2004, ou alguns incidentes
envolvendo seguidores do "time da fila", em dias de clássicos no
Barradão. Porém, reitero, são exceções. O que percebo é uma
diferença gritante no tratamento de torcedores visitantes, que
são, sim, muito bem recebidos no Barradão.
Tudo começa com relação ao preço
dos ingressos, razão principal desse meu texto. Simplesmente não
há diferenciação. O que eu acho um absurdo. Sim, um absurdo.
Quer dizer, o camarada vai ao meu estádio, torcer contra o meu
time e vai pagar o mesmo que eu? Negativo! É preciso que o
Vitória reveja essa política, que traz prejuízos de toda ordem
ao clube.
Prejuízo técnico, porque haverá
vozes botando o Vitória para trás, beneficiando o oponente.
Prejuízo da segurança, porque nem todo torcedor visitante tem o
mesmo comportamento em geral pacato dos rubro-negros, que ainda
primam por zelar pelo patrimônio do clube (lembram da baderna
causada pela torcida do Atlético-MG, em 99, nos bares do
Barradão, ou na derrubada do nosso alambrado pelos vândalos
coloridos, em 98, quando comemoravam?). E prejuízo financeiro,
claro, porque o clube deixa de arrecadar uma grana a mais em
cima dos "estrangeiros".
O jogo contra o São Paulo mostrou
claramente essa necessidade. A presença de grande número de
torcedores adversários, formados basicamente por paraibambis
(aqueles tabaréus que pensam ter nascido na Vila Madalena ou
Avenida Paulista e não sabem como nordestinos são tratados no
Centro-Sul do país) e sofredores do "time da fila", ávidos por
ver um jogo de Série A, prejudicou o Leão. No final da partida,
ainda circularam entre os rubro-negros sem qualquer incômodo,
cantando músicas entoadas pelo time da segunda divisão durante a
bela campanha do vice-campeonato baiano de 2008. Eles sabem que
nossa torcida é pacífica. Vá fazer isso em São Januário!
Fui assistir esse ano ao jogo do
Vitória contra o Sport, na Ilha do Retiro, e desembolsei R$ 48,
por dois ingressos de "arquibancada visitante" (sim, o nome é
esse mesmo). E o local destinado foi bem no cantão, ao contrário
do que ocorre no Barradão. Recentemente, o Atlético-PR criou o
"ingresso rival" para os clássicos contra o Coritiba na Arena da
Baixada. Preço mais caro, naturalmente.
Não seria nada demais o Vitória
adotar essa estratégia. Além de restringir o número de ingressos
para visitantes. Não enxergo impedimentos operacionais. Que se
crie um acesso exclusivo para eles. Os que tentarem dar uma de
sabidos terão que passar pelo constrangimento de torcer no meio
dos rubro-negros. E, claro, sujeitar-se ao perigo das
exceções...
José
Raimundo Silveira
Militar,
jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky.
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
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