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Opinião ::
Uma verdade inconveniente
Ricardo
Azevedo
Quero interromper minha série de textos sobre o Memorial
do Vitória, textos que considero importante não só para a melhor
compreensão desta proposta, mas também para apoiar a construção
de uma imagem valorizada sobre a história do clube, para falar,
mais uma vez, sobre uma verdade inconveniente: o aluguel do
Barradão.
Quando escrevi sobre o assunto
anteriormente até recebi algum apoio, mas, de longe, fui muito
mais repugnado. Isto porque opinei favoravelmente ao aluguel da
arena. Mas, não avalio quantitativamente este balanço.
Qualitativamente, as mensagens de apoio foram bem fundamentadas,
enquanto as contrárias, na maioria, eram baseadas apenas em
xingamentos e palavras odiosas.
Não estou aqui para condenar
ninguém (nem moral teria para isto), mas quero voltar ao assunto
para uma nova tentativa de fazer mais pessoas refletirem sobre
isto que considero um desafio não para as pessoas como
torcedores, mas como seres humanos.
Quando vejo guerras baseadas na
intolerância, seja ela religiosa, política ou étnica, fico sem
entender a dificuldade dessas pessoas em ceder à uma nova
realidade. Antes que pensem que quero comparar o Barradão a
Faixa de Gaza, digo que, daquela triste história, retiro apenas
a lição de como idéias que não conseguem mudar podem trazer
dificuldades.
Todos os avanços civilizatórios
exigiram cooperação e inteligência entre os homens. Além disso,
estamos em uma realidade que até podemos optar por não ver, mas
ela está aí: violência, crescimento da população das cidades,
devastação dos recursos naturais. O mundo nunca esteve tanto
sobre pressão. O ser humano também não.
Sei que não vamos dar jeito no
mundo, mas penso que devemos dar nossa contribuição. Porém,
cedendo ou não nossa arena, sinto tristeza em ver esta voz quase
que unânime. Raiva e revanchismo passam a se confundir com amor
ao clube a ponto de excluírem e coagirem quem se coloca em
posição discordante.
Vou reafirmar que baseio minha
posição não de uma forma moralizadora. Entendo que devemos
negociar em todos os aspectos possíveis o aluguel, pensando numa
forma de tirarmos proveito financeiro de nossa posição como
clube, coisa que foi conquistada com trabalho e, não, por
sorte.
Salvador é onde nossa história
acontece no mundo. Tudo de bom ou ruim passamos aqui e é aqui
que devemos agir para promover aquilo que o homem necessita para
viver e continuar vivendo: cooperação e inteligência.
Assim, penso que devemos e podemos
continuar “tirando sarro” dos adversários, mas apenas de uma
maneira esportiva e o que está acontecendo extrapola isto. Sei
que pode parecer inconveniente, mas esta é a minha verdade: se
seremos um clube melhor com o que proponho, não sei, mas que
seremos melhores como seres humanos, disso tenho certeza.
Ricardo
Azevedo
Formado
pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e
associado da American Marketing Association (EUA). É autor do
livro "Eu sou um nome na história - A história do Esporte
Clube Vitória".
E-mail:
rico.azevedo@globo.com
Para
mais informações: www.ricoazevedoonline.blogger.com.br.
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