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Ordem na cozinha
José Raimundo
Silveira
Para quem temia ver o Vitória
lutar na parte de baixo da tabela, esse começo de Campeonato
Brasileiro tem sido uma grata surpresa. Na maioria das rodadas,
o time figurou na faixa de classificação para a Copa
Sul-Americana, beirando a zona da Libertadores. Um belo
cala-boca nos céticos e apressadinhos, que rotularam o Leão como
“candidatíssimo ao rebaixamento” (né mesmo, Juca Kfouri?) com
apenas uma partida disputada.
A maré até pode virar contra nós
(saí pra lá, agouro!), mas os jogos iniciais do longo caminho a
percorrer já mostram uma mudança de perfil do rubro-negro. O
comportamento da defesa tem se mostrado sólido e eficaz, sendo a
segunda menos vazada do Brasileirão. Não importando a divisão,
há 15 anos a retaguarda do Vitória não tinha um começo tão bom
de Campeonato Nacional.
Desde 93, não tomávamos tão poucos
gols nos sete primeiros confrontos da competição. Naquele ano,
quando fomos vice-campeões brasileiros e obtivemos nossa melhor
colocação na história do Brasileirão, sofremos apenas quatro
gols nessa mesma altura da disputa. Somente um gol a menos que a
campanha defensiva atual, que fica abaixo apenas do Grêmio,
vazado três vezes.
Trata-se de um belo feito,
acredito. Méritos para os jogadores e comissão técnica. Por
estar residindo fora da cidade, não sei se a pauta foi explorada
pela imprensa baiana. Seria um gancho melhor que ficar na
picuinha de querer jogar o técnico Vagner Mancine contra a
torcida ou no rame-rame com os medalhões ora na reserva. Matéria
positiva, que não vende jornal, mas exalta um progresso do time,
historicamente marcado por péssimos desempenhos na cozinha.
Quantas vezes fomos testemunhas de
campanhas que poderiam ter sido melhores, caso a defesa fosse
mais consistente? Em 97 e 99, por exemplo. Tivemos ataques
mortíferos, mas a zaga não colaborava e as trajetórias no
Brasileirão ficaram comprometidas.
Os números atuais são ainda mais
expressivos quando analisamos o histórico do Leão na maior
competição nacional (veja quadro). Além de 93, somente em outras
três edições na Série A sofremos menos gols que na atual
caminhada: 73, 76 e 90, todas com dois gols contra nos sete
primeiros jogos – em 86 e 88, levamos os mesmos cinco gols que
em 2008 nesse ponto da disputa. E os números também são melhores
que o período de três anos no qual estivemos no limbo do futebol
nacional, entre 2005 e 2007.
Parabéns, mais uma vez, a todo o
sistema defensivo rubro-negro. Palmas, em especial, para a dupla
Leonardo-Anderson, que tem se mostrado afinada. Mas não se pode
esquecer do gás que os volantes Renan e Vanderson têm dado ao
time. Fazem o chamado trabalho de formiguinha, correndo por
todos.
Porém, a estatística mostra algo
preocupante. Até a sétima rodada, o Vitória é o time que menos
desarma e o segundo que menos comete faltas. Não espero que o
time baixe o sarrafo, só que é importante ser um pouco mais
pegador, afinal é assim que se mantém a posse de bola, parte-se
para o ataque e se evita o sufoco.
Vamos em frente, Leão!
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Desempenho da defesa do
Vitória nos sete primeiros jogos pela Série A
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ANO |
GOLS SOFRIDOS |
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2008 |
5 |
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2004 |
9 |
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2003 |
11 |
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2002 |
9 |
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2001 |
8 |
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2000 |
16 |
|
1999 |
13 |
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1998 |
12 |
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1997 |
11 |
|
1996 |
8 |
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1995 |
12 |
|
1994 |
10 |
|
1993 |
4 |
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1991 |
6 |
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1990 |
2 |
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1989 |
7 |
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1988 |
5 |
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1987 |
6 |
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1986 |
5 |
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1982 |
12 |
|
1981 |
8 |
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1980 |
14 |
|
1979 |
8 |
|
1978 |
6 |
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1977 |
11 |
|
1976 |
2 |
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1975 |
13 |
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1974 |
8 |
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1973 |
2 |
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1972 |
6 |
Fonte:
www.rsssf.com |
José Raimundo
Silveira
Militar,
jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky.
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
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