|
::
Artigos ::
Vitória, Bahia e a Irmã Lindalva
Ricardo
Azevedo
Tenho observado o debate (acalorado, naturalmente) sobre
a cessão do Barradão para que o Bahia sedie seus jogos na Série
B. Conselheiros, diretoria e torcedores, todos com legítimo
direito à expressão, parecem convergir no caminho da negação
desta que seria a única oportunidade, no momento, do tricolor
reencontrar sua torcida em Salvador.
No grupo dos “com direito de
expressão”, me coloco como torcedor e dou meu voto, mas não sem
antes explicar minha concepção deste fato. De início, entendo
que a cessão se trata de um aluguel e não de um empréstimo.
Sendo assim, financeiramente, e desprezando possíveis prejuízos
pela depredação, o negócio vale a pena. Como prevenção, um
seguro, feito pelo locatário, pode garantir o patrimônio do
clube de um eventual ataque de raiva da torcida inquilina.
Outra questão é conceitual. A
arena do Vitória é uma praça esportiva para a prática do
futebol, ou seja, estaria sendo usada para o seu fim principal.
Pode parecer heresia este comentário (não acho que seja), mas se
até freira já foi cultuada no estádio é porque não é só de jogos
do Vitória que o Barradão pode ser feito.
Quanto à questão de beneficiar um
rival, não vejo problemas se também tivermos sendo beneficiados
com isso. Neste sentido, precisamos pensar em nós em primeiro
plano: é bom para o Vitória? Prejudicará nosso desempenho? Não?
Então vamos considerar.
Tenho lido textos que falam sobre
humilhações antigas e outras tristezas. Para isso, caros
colegas, nada pode ser melhor do que realizarmos a cessão. Mais
do que a única alternativa, o Barradão é uma excelente opção em
se tratando de uma arena (considere que estamos num país de
terceiro mundo).
Assim, tapa com luva de couro de
búfalo em quem desqualifica ou fez isto algum dia (todos os
tricolores fizeram) com o estádio do Vitória. Irão sentir como é
difícil não terem tal estrutura e, pior, saber que dificilmente
terão, pelo andar da carruagem. Mas, se terão ou não, não é
problema nosso.
Por fim, explicado estes pontos,
digo que sim. Vamos alugar o Barradão para o Bahia. Será também
uma forma de ajudarmos a promover a civilidade em nossa cidade
(a reflexão sobre qualquer fato sempre é útil) e, como
deveríamos saber, time adversário não tem torcida inimiga, uma
vez que ela é feita de baianos como nós, pessoas como nós.
Podemos ter o discurso de “não
gosto”, mas é divertido conviver numa cidade dividida entre
rubro-negros e tricolores. Convivemos juntos durante todo ano,
brincando carnaval e saudando Iemanjá, ano novo e tudo quanto é
santo e orixá. Até casamos entre nós! Por sinal, sou um exemplo
disto.
Então, pelo bem do Vitória e do
futebol, sim ao Bahia. Se eles (consideremos como grupo) serão
melhores como pessoas, todos ganharemos com isso. Se serão
melhores como equipe, não é problema nosso. Vamos fazer a nossa
parte e continuar levantando troféus.
Ricardo Azevedo
Formado pela Escola Superior de
Propaganda e Marketing (ESPM) e associado da American Marketing
Association (EUA). É autor do livro "Eu sou um nome na história
- A história do Esporte Clube Vitória".
E-mail:
rico.azevedo@globo.com
Para mais informações:
www.ricoazevedoonline.blogger.com.br.
-
|