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Opinião ::
Não faz diferença o Atlético
Tiago Ferreira Bittencourt
Antes da partida de ida da segunda fase da
Copa do Brasil, no
dia 19 de março, Vitória e Paraná enfrentaram um Atlético nos
Estaduais. O rubro-negro pegou o de Alagoinhas, 148º clube do
Brasil, segundo o ranking 2007 da CBF. O Paraná pegou, como não
poderia deixar de ser, o Atlético Paranaense, 19º neste mesmo
ranking, uma posição acima do Leão baiano.
O Paraná venceu o clássico por 1 a
0 na Arena da Baixada. O Vitória, com sofrimento e gols de
virada nos últimos 15 minutos do segundo tempo, venceu por 2 a
1.
Os adversários batidos, que você
pode chamar também de “nível do campeonato estadual”, fazem
alguma diferença para medir a qualidade e o potencial das
equipes? Friamente, baseando-se apenas no resultado do
confronto, pode-se dizer que sim. Foi 1 a 0 para o time da casa.
Se alguém está amedrontado por
isso, eu não estou. Ao invés de uma análise fria, depois de o
torcedor ter tomado uma ducha gelada e esfriado a cabeça, o
pensamento tem de ser outro. O Vitória jogou com apenas um
atacante, não de origem. Tomou um gol em uma falta dita duvidosa
– que eu não vi porque fui para a cozinha. Perder, empatar e
ganhar são as possibilidades das práticas competitivas. O
resultado não foi absurdo.
O que o Vitória vai encarar na
quarta-feira (02) não é um bicho de sete cabeças. É um clube que
na Copa do Brasil, aos olhos rubro-negros, talvez tenha menos
imponência do que o Baraúnas. Até 2007, em 10 participações na
Copa, o time paranaense chegou três vezes às quartas-de-final.
No ranking do torneio, é o 25º, com 57 pontos, contra a 9ª
posição e 142 pontos do Leão (em 18 participações até o ano
passado; é o time que mais participou, ao lado do Atlético
Mineiro).
Já o time do Rio Grande Norte fez
a terceira participação neste ano. Antes, esteve presente 2005 e
em 2007. Chegou às quartas na primeira e, na segunda, foi eliminado por
utilizar um atleta irregular. Em ambas, eliminou o Vitória em
campo.
Essa “imponência” só serve mesmo
para a Copa do Brasil, onde tudo é possível e o inimaginável
acontece. Vide casos como do próprio Baraúnas ou do Asa (Al),
que tirou o Palmeiras, em pleno Parque Antártica, em 2002.
É por estar em uma competição
nacional, que as coisas mudam de figura. Por mais que no Baianão
o Vitória ainda não tenha se apresentado com pinta de quem
ganhou 10 dos últimos 13 campeonatos baianos, ao enfrentar um
“estrangeiro”, a postura muda e parece que a bola rola
diferente. Ganha-se aí outro sentido repetição da imprensa
esportiva de que Campeonato Baiano não é parâmetro para o
Brasileiro.
Quando a bolar rolar, torcedor e
jogador vão esquecer que o Poções bateu o time no Barradão. Vão
esquecer outras agruras vividas no Baianão, que resultaram em
seis derrotas. Porque o que vai para campo é mais do que números
e estatísticas.
A “crise aérea” na zaga não vai
ser a mesma. A carência na lateral esquerda não será a mesma.
Nem os cartões de Vanderson serão olhados da mesma forma. Tudo
isso porque o enfrentado é o Paraná e não o Juazeiro, por
exemplo.
E o torcedor,
este também não pode ser o mesmo. Porque não faz diferença o
Atlético. O que faz diferença é a paixão.
Tiago Ferreira Bittencourt
Rubro-negro e jornalista.
E-mail:
tiagoferreirab@gmail.com e
www.batepapoeesporte.portalesportivo.com.br
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